Sobre a Palavra da Vida


Um pouco de história

Inicio do Acampamento, a idéia do que seria Palavra da Vida Brasil foi concebida na floresta Amazônica da América do Sul. Ari Bollback e Haroldo Reimer estavam terminando o seu primeiro estágio como missionários entre as tribos indígenas no norte do Estado de Mato Grosso no Brasil. Os seus corações tinham sido tocados com a necessidade urgente de trazer esperança e salvação aos que viviam na mata e  morriam sem ter jamais ouvido falar das boas novas de Jesus Cristo, da Sua intercessão pelos perdidos, e da esperança do céu quando a vida aqui na Terra terminar. Era preciso mais missionários, e o mais rápido possível.

A questão era... como? Como e onde poderiam achar mais ajuda para suprir essa necessidade? A maioria dos missionários trabalhando com esses povos naquela época eram como Ari e Haroldo, estrangeiros. Recrutar mais ajuda dos Estados Unidos ou da Europa seria dispendioso em tempo e em finanças. Tinha que existir outra maneira. Afinal, a Palavra da Vida tem seu nome e seu propósito baseados no versículo na Bíblia que diz: "retendo firmemente a palavra da vida. Assim no dia de Cristo eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado em vão." (Filipenses 2:16). Os recursos para realizar esse objetivo tinham sido prometidos por Deus. "O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus." (Filipenses 4:19) Tanto Haroldo quanto Ari estavam confiantes de que Deus iria cumprir a Sua promessa.

Haroldo tinha passado os seus primeiros oito meses no Brasil estudando português em Campinas, uma cidade de muitas escolas, com milhares de jovens. Um bom número destes era de cristãos verdadeiros, membros de igrejas que pregavam a Bíblia. Por que não desafiá-los para a obra de levar o evangelho aos que estavam perdidos no seu próprio país? Já conheciam a língua, estavam completamente ajustados à cultura e ao clima e não precisariam gastar um bom dinheiro fazendo uma mudança para outro país. Mas como desafiá-los? Ari lembrou que a sua decisão para investir a sua vida em missões fora feita em um acampamento para jovens. Haroldo disse que sua decisão fora feita depois de participar de um culto da fogueira no acampamento Word of Life no norte do Estado de Nova Iorque. Uma rápida pesquisa entre outros missionários revelou que a maioria deles tinha assumido este compromisso com Deus também num acampamento. Parecia que um acampamento para jovens no Brasil seria a resposta.

Uma carta (tudo isto aconteceu bem antes do e-mail) foi enviada para Jack Wyrtzen, fundador e diretor da Word of Life, pedindo que ele procurasse alguém com experiência na área de acampamentos e  com visão para missões, para vir ao Brasil e começar um acampamento para jovens que teria como alvo recrutar mais missionários. Ari e Haroldo sentiam que deveriam continuar o seu ministério entre os índios que tinham tentado matá-los no primeiro encontro, mas que agora os conheciam e os amavam. Outra pessoa teria que começar esse acampamento.

A carta não produziu nenhum resultado. Ari e Haroldo terminaram o seu primeiro período de serviço missionário e voltaram aos Estados Unidos  por um tempo de licença, antes de continuarem o seu trabalho no Brasil. Foi no verão de 1956 que os dois se encontraram outra vez no acampamento Word of Life em Nova Iorque. Os dois já tinham trabalhado nesse lugar  e foi lá que Jack Wyrtzen os tinha desafiado a dedicarem as suas vidas para obedecer a última ordem de Jesus: "Ide por todo mundo e pregai o evangelho!" Conversaram com Jack e compartilharam a sua preocupação pelos índios da América do Sul e também compartilharam a sua idéia de que um acampamento para jovens poderia ajudar a cumprir a tarefa de levar Jesus aos índios. A reposta de Jack foi: "Por que vocês dois não voltam para o Brasil e abrem um acampamento?"  Os dois jovens missionários responderam: "Por que não?" Tanto Millie,  esposa do Ari, quanto Débora, com quem Haroldo tinha se casado no Brasil, estavam completamente de acordo. Arrumaram as malas, compraram as passagens e seguiram para o Brasil. O resto é 50 anos de história, moldada pela mão de Deus, que preenchem as páginas deste livro.

Começando

O ano era 1957. Ari e sua família retornaram ao Brasil, alguns meses antes de Haroldo. José Simionato,  pai da Débora, os recebeu em Santos, cidade de porto, e os levou para sua casa em São Paulo, onde ficaram por pouco tempo, desfrutando a hospitalidade da Dnª. Olivia, mãe da Débora. Ari compartilhou com eles que o Senhor já tinha comprovado a visão de um acampamento para jovens providenciando fundos, que não tinham solicitado, para começar, e como Ele tinha dado paz aos corações e às mentes dos quatro nessa nova empreitada. Os Simionatos se animaram com os planos e estavam ansiosos para ter a sua filha perto deles outra vez. O seu entusiasmo e interesse em  ajudá-los a achar uma casa para alugar e apresentá-los a pessoas que poderiam ajudar nesse projeto foi um encorajamento para Ari e Millie pois sabiam que iriam precisar de muita ajuda.

Haroldo e Débora chegaram ao Brasil pouco tempo depois que os Bollbacks. Haroldo e Ari começaram a procurar um lugar onde poderiam construir esse acampamento. Já que a Word of Life nos Estados Unidos estava situada num lago, os dois achavam que o acampamento também deveria ser situado num lago. Perderam um bom tempo até descobrirem que o Estado de São Paulo tem poucos lagos naturais e que um bom local à beira de um lago era quase impossível de achar. Depois de lerem centenas de anúncios  em jornais e de visitarem muitos lugares que cabiam no seu orçamento, finalmente acharam  um terreno de 6 alqueires em Atibaia, no qual tinha um riacho e uma linda cachoeira em uma das extremidades. Não tinha lago, mas poderiam facilmente criar um. A compra foi feita em termos muito vantajosos para eles e finalmente o acampamento tinha um endereço.

Desde o começo foi fácil para Ari e Haroldo verem a provisão de Deus para cada necessidade.  Iriam precisar de um arquiteto. As únicas pessoas que conheciam na cidade eram os Simionatos e alguns de seus amigos. Num domingo, Ari foi convidado para ir a uma igreja Batista  para acompanhar um solista que iria cantar naquela noite. O solista era o Luiz de Carvalho, um recém convertido que, antes de sua conversão, cantava em boates. Mais tarde ele veio trabalhar com a equipe Palavra da Vida como solista no trabalho de evangelismo.  Durante a reunião, Ari teve a oportunidade de compartilhar a visão do acampamento com os que estavam reunidos ali. Depois do culto, uma senhora veio falar com Ari: "Se vocês precisam de um arquiteto, falem com o meu filho. Ele acaba de se formar na faculdade, é um excelente arquiteto e está procurando trabalho." Alguns dias depois, Ari conheceu o Dr. Walfredo Thomé, que se tornou um grande amigo e projetou tudo que veio a ser construído no acampamento, compartilhando a visão e sempre oferecendo os seus serviços gratuitamente. O Senhor o abençoou também e ele se tornou um dos arquitetos e construtores de igrejas mais conhecidos do Brasil.

Precisavam de trabalhadores, principalmente pedreiros, para construir os prédios. O acampamento ficava a algumas horas da cidade de São Paulo. Iriam precisar de trabalhadores locais. Onde iriam encontrar esses homens? Ari e Haroldo chegaram de ônibus a uma parada perto do acampamento e continuaram a pé. Ao caminharem, passaram por uma plantação de milho à beira da estrada, e ouviram uma criança cantando um hino. Surpresos ao ouvirem um hino bem conhecido no meio do nada, perto do local do acampamento, entraram no meio da plantação para descobrir  quem estava cantando. Uma menina, um pouco assutada, os informou que o seu pai e os seus irmãos todos eram pedreiros e esses homens se tornaram a equipe de construção do novo acampamento Palavra da Vida.

Palavra da Vida Brasil precisava ser registrada no governo brasileiro para poder funcionar legalmente. Pelo menos quatro pessoas eram necessárias para formar a liderança da Organização. Existiam exatamente quatro: Ari, presidente; Haroldo, vice-presidente; Millie, tesoureira; Débora, secretária. Mas precisavam dos serviços de um advogado que conhecesse as leis locais, para redigir um estatuto. Dr. Jayro Gonçalves, um advogado e ancião da Igreja dos Irmãos onde Ari e sua família congregavam, veio ajudar. Ele também captou a visão de tudo que um acampamento para jovens poderia fazer para promover o reino de Deus aqui na Terra. A sua ajuda competente e conselho em assuntos legais, assim como seu ensino da Bíblia, contribuíram muito para o sucesso da Palavra da Vida. Ele não só oferecia seus serviços sem remuneração, como também muitas vezes , assim como Dr. Walfredo Thomé, contribuía com ofertas generosas para suprir as necessidades financeiras da Organização.

O ministério precisava mais do que os quatro membros originais para poder funcionar. Mais equipantes eram necessários. Manuel Simões Filho, apelidado de Neco, foi o primeiro a se juntar a eles.

Logo vieram outros e, quando o acampamento abriu suas portas em janeiro de 1958, havia uma equipe completa de líderes de jovens animados e prontos para receberem os acampantes que ali chegavam.

O terreno foi comprado em abril de 1957. Não havia nada na propriedade além de uma casinha muito simples de um cômodo, sem encanamento ou eletricidade. Essa casa foi o lar da família Reimer durante o primeiro ano. A construção de dormitórios, banheiros, quadras de esporte, uma pequena represa no riacho para para formar um  laguinho, ruas, e até o  plantio das árvores ia bem, mas com menos de dois meses antes da abertura oficial do acampamento, ainda não existia um refeitório nem uma cozinha. Parecia uma 'Missão Impossível' deixar tudo pronto a tempo mas Deus já tinha a solução e Walfredo Tomé sabia onde encontrá-la. Ele disse : "Do meu conhecimento existe somente um homem que irá conseguir deixar este prédio pronto no pouco tempo que nos resta. Eu vou tentar trazê-lo para cá." O  Sr. Bertolino, um homem alto, forte, e muito simpático, chegou no dia seguinte e, com os seus dois filhos muito fortes também, se juntou à equipe de construção. Trabalhando duro por longas horas e até à noite, esse trio dinâmico terminou o seu projeto um dia antes da abertura. Outros membros da equipe trabalharam durante toda a noite, limpando o local e deixando tudo pronto para ser usado. O fogão e outros equipamentos para a cozinha chegaram junto com os primeiros acampantes e foram rapidamente instalados para a preparação da  primeira refeição. Bancos foram colocados numa ponta do refeitório para as reuniões. O acampamento não era mais somente uma visão...era uma realidade. Mesmo estando exaustos de tanto trabalhar na noite anterior, a equipe inteira vibrou  e deu graças a Deus por tudo que Ele tinha feito.