Geração nem-nem


De Acupuntura à Zootecnia, existem hoje 33.878 cursos universitários em 2.688 instituições de ensino superior no Brasil.1 Só em Atibaia, de onde escrevo, são 87 cursos. Na cidade de São Paulo, 3.090. Diante deste exagero de opções, tanto o jovem pré-universitário não sabe qual curso escolher quanto o universitário, o que supostamente já “decidiu o que quer da vida”, muda diversas vezes de curso antes de sua definitiva graduação.2

“O que dá mais dinheiro, menos trabalho ou maior liberdade? E se eu encontrar tudo isso em uma única carreira? Sucesso total!”, diriam alguns. Quer seja a falta de noção de sua vocação ou a pressão da própria família para que decida logo, tais dúvidas (para não dizer indecisões) rondam a juventude.

Tenho me deparado com realidades assustadoras entre jovens que não demonstram querer algo mais sério da vida. Simplesmente vão deixando a vida lhes levar. “Por que me preocupar com o amanhã se o hoje nem terminou?”, disse-me um jovem.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, 3,4 milhões de jovens entre 18 e 24 anos não estudam e nem trabalham formalmente.3 Esta é a geração “nem-nem” (nem estuda e nem trabalha). A meu ver, são jovens sem pro-atividade, perspectivas e/ou projetos de vida, e infelizmente muitos jovens cristãos não estão fora desta triste estatística.
Estes jovens, especialmente os cristãos, não estão preparados em sua maturidade de vida e/ou espiritual para enfrentarem tanto a universidade quanto a selvageria do mercado de trabalho. Digo maturidade no sentido de vivência convicta e prática do Cristianismo, não apenas como um evento no final de semana mas como estilo de vida, ainda que com as limitações da própria idade.
Trata-se de jovens imersos em uma profunda crise de compreensão do que é a vida e das responsabilidades que ela traz, onde alguns se mostram incapazes de tomar decisões acertadas por si mesmos. Com menos de 20-22 anos de idade têm que decidir o futuro de suas vidas, sem, todavia, estarem preparados para isso ou saberem ao certo o que querem delas.
Diante disso, creio que estes jovens cristãos precisam:  (1) ter o caráter trabalhado pela e conforme a Palavra de Deus; (2) aprender e ser conduzidos no estabelecimento de uma cosmovisão cristã que os permita, independente de quê ou quem venham a ser, o sejam e o façam para a glória de Deus. Entendo que assim, independente da universidade que vierem a cursar ou carreira a construir, tais jovens terão condições mais reais de viverem seu compromisso com Deus fiel e dedicadamente.

Hélder Cardin [Casado com Juliana, pai de Lucas e Tiago. Coordenador do curso Teológico-Ministerial (Graduação), do Seminário Bíblico Palavra da Vida. Mestre em Teologia Pastoral pelo Centro de Pós-graduação Andrew Jumper]


1 Instituições de educação superior e cursos cadastrados. Disponível em: <http://emec.mec.gov.br/>. 
Acesso em: 4 jul. 2011. Pesquisa realizada por Hélder Cardin nos servidores do MEC.
2 Conforme reportagem da Rede Globo sobre a juventude brasileira: Daqui pra frente: uma fase especial e complicada. Disponível em: <http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM665310-7823-DAQUI+PRA+FRENTE+UMA+FASE+ESPECIAL+E+COMPLICADA,00.html>.  Acesso em: 10 ago. 2007.
3 MINUANO, Carlos. Jovens de classe média adotam a preguiça como profissão. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/925863-jovens-de-classe-media-adotam-a-preguica-como-profissao.shtml>. Acesso em: 21 jun. 2011.

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